12:38Não há vaga para Gay Talese

Da Folha Online, em reportagem de Sylvia Colombo

João Moreira Salles diz que Gay Talese teria dificuldade em despontar hoje

“Muitas faculdades por aí estão criando cursos de jornalismo literário, mas o mercado não tem como absorver isso, estão treinando pessoas para fazer algo que dificilmente conseguirão praticar de verdade.”

A frase provocou ruído numa audiência composta, em sua maioria, por estudantes de jornalismo. Principalmente pelo fato de ter vindo da boca do documentarista João Moreira Salles, diretor da “Piauí”, a revista brasileira que melhor se encaixa no gênero conhecido por abarcar textos de não ficção que usam recursos literários.

As declarações foram feitas em debate sobre o tema dentro do Fórum das Letras de Ouro Preto, que ocorreu na cidade mineira, entre os últimos dias 10/11 e 15/11.

Moreira Salles elogiou grandes nomes do gênero e qualificou a “Piauí” como uma exceção na mídia brasileira por ter o “luxo do tempo” para melhorar seus textos e poder traçar perfis mais detalhados e profundos de personagens.

Porém, reforçou que um novo Gay Talese teria dificuldades de encontrar lugar para despontar hoje. “Há uma lógica econômica no mercado. O espírito do tempo não é o do texto longo.”

Já o best seller da história nacional Laurentino Gomes, autor de “1808″ e “1822″, lembrou da cisão que existia na sociedade no pré-Independência para provocar reflexões sobre o Brasil de nossos dias.

 Ao comparar Lula com d. João 6º, por exemplo, disse que historiadores do futuro talvez entendam melhor o carisma do presidente, da mesma forma como hoje se fez uma revisão positiva da personalidade do monarca português.

E criticou os que vêm atacando Tiririca. “Temos de prestar atenção antes de falar mal de alguém que se supõe ser um analfabeto, mas que foi o deputado mais votado do Brasil. Ao atacá-lo, estamos revelando nosso preconceito contra os mais pobres.”

Gomes diz que está ciente das críticas que são feitas a ele por historiadores da universidade e que as considera normais. “A academia tem um sistema de validação interno pelo qual eu não passei. Aí, chego de fora e vendo um monte de livros. É natural que haja incômodo.”

Mas defendeu o trabalho que faz. “Não sou historiador, sou um jornalista que escreve livros de divulgação científica. Isso é comum nos países anglo-saxões, mas, aqui, quase não existe.”

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