18:43Paranóia

de Solda*

o aluno está paraninfo
assim como
o preguiçoso está parasita

a muleta está paraplégico
assim como
a porca está parafuso

a janela está parapeito
assim como
a rua está paralelepípedo

o velho está paralítico
assim como
a vela está parafina

o elemento está parâmetro
assim como
ubaldo está paranóico

* O poema acima é de 1978. O autor e outros funcionários que trabalhavam com ele na Grafipar recebiam bilhetinhos do maldito Comando de Caça aos Comunistas (CCC). Vivia com “u” na mão – e não era para menos. Como todo artista, criou em cima da situação. “Ubaldo, o Paranóico”, personagem do saudoso Henfil, é perfeito para ilustrar.

Uma ideia sobre “Paranóia

  1. Omero

    Bons tempos aqueles da Grafipar. Muitos amigos e, entre eles, o sempre competente Nelson Faria de Barros, entre outras dezenas de editorias, era o responsável pela revista Peteca. Um marco de vendas Brasil afora e um dos grandes sucessos da Grafipar.

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