14:40Pato manco

de Rogerio Distefano, no Maxblog (www.maxblog.com.br):         

Orlando Pessuti, nosso governador, tem diploma de médico veterinário. Mas pouco exerceu a profissão; quando saiu a inscrição no conselho de veterinária Pessuti já era deputado. Corrijo: deputado e marido, pois no bom Pessuti não se sabe quando termina o deputado e quando começa o marido, tão imbricados os dois atributos, dos quais não se desvencilha nem quando está governador. O diploma de veterinário não foi de todo perdido, pois enquanto deputado Pessuti continuou a mexer com animais. Animais é bem verdade diferentes daqueles da prática usual do veterinário da Emater, que Pessuti foi por algum tempo.

Na assembleia Orlando Pessuti formou especialidade no trato de répteis, batráquios e todo o sortilégio de mamíferos predadores e aves de rapina. De aves, portanto, o deputado veterinário Orlando Pessuti conhece só as de rapina. De aves domésticas então Pessuti só conhece frangos e galinhas, mas devidamente assados os primeiros e ao molho as segundas. De patos, outra ave doméstica, Pessuti tem vaga lembrança daqueles que via no quintal da casa paterna, no Vale do Ivaí. Uma pena – com perdão da perífrase – não conhecer patos, estes, afinal, nunca entraram na assembleia legislativa, sempre ficam do lado de fora, sendo pagos.

Se soubesse algo de patos o deputado-marido Orlando Pessuti entenderia sua circunstância de governador eventual. Eventual porque a governança caiu-lhe no colo, logo acaba, não pode ter o gosto, seja porque é curta, seja porque Beto Richa soltou suas raposas para assustar Pessuti. Divago, quase me perco e volto aos patos. Depois de longa vida entre animais daninhos – sendo um deles, sejamos honestos – Orlando Pessuti transformou-se num pato manco. Sim, pato manco, ou lame duck, como nos EUA são chamados os presidentes e governadores em final de mandato. Por que pato e por que manco, me poupem da pergunta, absolutamente não vem ao caso.

          Os patos mancos são fracos,  arrastam uma perna, pouco mandam e ninguém obedece. Pessuti quer pegar o dinheiro do porto?, não deixam; expelir requianistas da Sanepar?, não mesmo; criar a defensoria?, praquê? Dia desses, se quiser dar um beijo cenográfico em dona Regina, Pessuti vai ter que pedir autorização de Ademar Traiano, espécie autóctone de tucano carnívoro, que agora tirou de Pessuti o manejo do orçamento. Se alguém não sabe, informo: o orçamento está para o governador como o débito conjugal está para o marido. Se tira o orçamento de Pessuti, a turma de Beto pode enfiar o débito conjugal do homem num precatório impagável.

Uma ideia sobre “Pato manco

  1. Joanete Perna-Curta

    Quem sentirá saudades do Adiposo? Talvez o véio da bíblia, porque gritar para tolos é mais animado. Ou a empresa de manutençäo dos elevadores, porque quanto mais peso, mais manutençäo e mais pagamentos. Os caras da banquinha, quem sabe, porque ele gasta com as guloseimas. Com certeza os canalhas puxa-sacos, baba-ovos insuportáveis e cínicos, que se penduraram nas tetas loiras do governo esquálido, mas generoso com os compadres de traquitanas desviantes do bom e velho erário. E, por que não, os banqueiros de algum paraíso fiscal… Bem, só imaginação fértil regada pela chuva fria da triste capital sitiada pelos urubus transitórios, carniceiros do nosso dinheiro público…

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