23:58Rato

Emerson Fittipaldi tem a fala fina e depois dele todos os pilotos de Fórmula 1 do mundo passaram a ter a voz esganiçada e fininha. Pelo menos a gente ouve assim. Por quê, ninguém sabe. As cenas mais emocionantes desta categoria do automobilismo nos últimos anos foram protagonizadas pelo causador disso. Ele pilotando a Lotus 72 na avenida Marginal do Rio Pinheiros, em São Paulo e, depois voltando a entrar no cockpit da máquina que parou no tempo de nossa memória, na pista de Interlagos. Deu a volta de forma perfeita. Sempre foi assim. Sempre será. Fittipaldi ganhou dois títulos mundiais na Fórmula 1 porque, como foi comprovado, repetia o traçado durante toda a prova colocando os pneus no mesmo ponto-limite. Dizer que abriu o caminho para os outros pilotos brasileiros é repetir o de sempre. Emerson foi acompanhado por uma legião de fãs nas transmissões do pai, o “Barão” Wilson Fittipaldi, na rádio Jovem Pan, quando se mandou para a Inglaterra e se enfiou num carro de Fórmula Ford. Fez tanto sucesso que a Globo, sempre ela, colocou o galã Cláudio Marzo como protagonista de uma novela onde era piloto, etc e tal. A trilha sonora falava em “rumo, estrada afora…”, na voz de Evinha e seus irmãos do Trio Ternura. Ele, Emerson, foi. E tinha de ir. Porque sempre será o grande “Rato”, apelido que ganhou por causa do formato do rosto e também porque, moleque franzino, zanzava feito um roedor esperto nos boxes de Interlagos. Queria saber de tudo. Sempre soube de tudo. E nunca bateu no peito se vangloriando. Sim, depois houve Senna e Piquet, tricampeões. Senna, um gênio do volante. Piquet, um brasileiro que enobrece a raça, pois nunca se curvou, nunca disse amém, e por isso mesmo foi escanteado pela imprensa. Deu de ombros, como sempre. O nosso Rato mais famoso quase faliu na aventura de ter uma equipe brasileira de Fórmula 1, a Copersucar. Mas os feitos na Fórmula Indy, vitórias em Indianápolis, enfim, a seqüência de corridas milimetricamente perfeitas apenas o elevaram à condição de mito das pistas. Um dia despencou do céu com seu ultraleve. Quase morreu. O susto foi o suficiente para fazê-lo continuar a voar só na terra, onde é mestre. Quando saiu neste domingo de dentro do carro preto com letras douradas, Emerson Fittipalidi se apresentou com as mesmas costeletas enormes e os mesmos óculos escuros lá do tempo em que se trocavam milhares de marchas no muque para se vencer uma corrida. E a simpatia, natural, igual. E a voz… Bem, é a voz que sai da boca de todos os pilotos porque nós sabemos que eles precisam ter algo do Rato. Não fosse isso, não seriam pilotos.

Uma ideia sobre “Rato

  1. Edmar Jr.

    Salve, Zé Beto!

    Importante também a participação honrosa do Emerson Fittipaldi na Fórmula Indy.

    Com mais de 50, deixou muitos meninos na poeira. Foi um marco naquela categoria.

    Grande abraço.

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