9:17Crianças

Depois dos cinquenta a gente descobre que, viva!, vai até o empacotamento final fazendo travessuras, mas disfarçando um pouco, porque travessura também. Ah, sim, os normais. Os anormais todos conhecemos. Parecem incomodados com a vida, se escondem sob a máscara da seriedade para se safar dos crimes que cometem contra a humanidade. É bom demais se descobrir eternamente criança quando temos crianças eternas como filhos e esperamos ansiosamente os netos, filhos com açúcar, na expressão da deusa Rosa Passos, a voz de criança mais incrível que este Brasil desconhece. Alguma coisa aconteceu no meu computador de bordo que ele não deixou registrado momentos de criança com minhas crianças quando elas eram crianças. Por um defeito de fabricação no dia da criação do mundo, em 1954 minh’alma entrou no corpo com muita carga pesada e, depois, os remédios que se apresentaram na tentativa de aliviar as dores a levaram ao inferno, junto com o corpo. Por isso só as vejo crianças picurruchas nas fotos e, que felicidade, houve muitos momentos de felicidade para eles e para um atormentado. Um anjo criança veio e, apontando a ponta de uma asa indicou um caminho que se percorre cada dia com mais felicidade de criança. Então deu para fazer parte da minha turma, que tem o Yuri, que brinca de arquiteto, a Ticiana, turismóloga, e a mais novinha, a Tarsila, que na semana passada recebeu o certificado de designer de móveis e ainda não sabe se vai tocar esse apito porque é assim mesmo que acontece com as crianças normais. O mais velho dessa turma, por acaso pai deles, sempre diz orgulhoso que todos são “federais”, brinca que não tem canudo, só o do primário, guardado com o maior carinho, e sempre reverencia os pais, que brincavam no sítio em Palmeira dos Índios, namoraram no Rio de Janeiro de filme, aquele do fim dos anos 40 e início dos 50, casaram e foram ter suas crianças, duas, (o artista Ricardo Silva é o outro), na Sampa industrial. O melhor de tudo é que, graças!, no caminho a gente encontra outras crianças, de outras ruas, outras vilas, outras cidades, outros estados, outros países. Para trocar figurinhas. Do que interessa. É a vida.

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