8:05Bordel da vida

De Rogerio Distefano, publicado no Maxblog (www.maxblog.com.br):

Gens empreiteiros
Nasceu rico, bonito e herdeiro de empreiteiro. Teve o que faltou ao pai: bons colégios, faculdade no exterior, casamento com moça rica e bem nascida. Tinha um porém, segundo os inimigos algo que vinha nos gens empreiteiros: adorava prostitutas. O casamento acabou logo, não sabia se relacionar com mulher ‘de família’, comentava-se na melhor sociedade.
Acabou montando um bordel, sonho de menino, com tudo que manda o figurino, as seis meninas ‘capa da Playboy’, até uma gerente da casa, que ele recusava chamar de cafetina – com razão, pois era  cliente único e exclusivo da casa. Depois de algum tempo, esgotado e esgotadas as possibilidades de exploração em regime de monopsônio, abriu o capital do harém para amigos, sócios, gente de seu meio, aquele meio em que circulam os empreiteiros.
Mas esqueceu de convidar a polícia, sequer para tomar cafezinho e molhar o biscoito, nem mesmo para um agrado financeiro, e isso azedou os dois delegados que deram batida, fecharam a casa e prenderam a gerente. Tira, pior que seja, não é páreo para advogado de empreiteiro, gente que vive, transita e impera em zonas mais pesadas que as do meretrício.
Exploração de lenocínio é pinto para quem injeta na obra 10% para o palácio, 10% para os funcionários que fiscalizam e ainda sobram 30% para gozar a vida depois de atochar no erário o dobro do preço. O advogado comprou o escrivão, mandou pôr o nome do governador na primeira lista dos clientes do bordel. Mostrou ao governador, que removeu os delegados para oitocentos quilômetros de distância. “Sacanas”, disse o governador, “só estive lá uma vez”.

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