19:41Condenado e atuante?

De um amigo do blog:

A matéria que segue logo abaixo foi veiculada por este Jornale no dia 19 de dezembro do ano passado. Agora, como explicar que uma pessoa condenada a 18 anos de prisão, por tráfico de armas e formação de quadrilha, mesmo tendo recorrido da sentença, tenha ameaçado e atirado contra integrantes do MST no último dia 06? Eis a matéria: 

Copetti Neves é condenado a 18 anos de prisão por tráfico de armas   

Coronel comandava quadrilha de PMs aposentados para fazer a guarda ilegal de terras

A Justiça Federal condenou o tenente-coronel aposentado da PM Valdir Copetti Neves a 18 anos e 8 meses de prisão e 437 dias-multas e ainda deve perder o cargo de coronel da PM pelo caso que ficou conhecido como “Março Branco”. 

Para a Justiça, ficou claro que ele usou de sua posição na PM para formar uma quadrilha armada com PMs aposentados para fazer a guarda ilegal de terras na região de Ponta Grossa e assim praticar vários crimes como fornecer armas e drogas para incriminar outras pessoas. O coronel já havia sido investigado e preso por uma força-tarefa da Secretaria da Segurança Pública do Paraná em 2005 acusado de fazer parte de uma das maiores quadrilhas de extermínio do país, formada por policiais militares, advogados e assaltantes.

 

De acordo com a sentença, Neves foi condenado por tráfico internacional de arma de fogo, exercício arbitrário das próprias razões, constrangimento ilegal, formação de quadrilha ou bando e também pelo artigo 12 da lei nº 6.368/1976 (que é fornecer maconha para que fosse “plantada” em um veículo de terceiro).

 

O processo tramitou na 1ª Vara Federal e Juizado Especial Criminal de Ponta Grossa. A sentença é decorrente da denúncia do Ministério Público Federal em Ponta Grossa feita em maio de 2005 contra dezenove pessoas que estariam envolvidas no patrulhamento ilegal de propriedades rurais. De acordo com o MPF, em outubro de 2004 fazendeiros da região dos Campos Gerais contrataram policiais militares para fazer a segurança de suas propriedades.

 

O então tenente-coronel Valdir Coppetti Neves seria o comandante de um grupo de ex-policiais (Ricardo Jose Derbis, Nereu Pascoal Moreira e José Waldomiro Maciel) que utilizava armas sem registro, entre elas algumas importadas irregularmente. Em dezembro de 2004, quando integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) invadiram um sítio próximo às propriedades “patrulhadas” por Neves ele começou a “investigar” os sem-terra.

 

O então tenente-coronel chegou a entrar em confronto com os invasores numa tentativa frustrada de desocupar a terra à força. Ainda segundo a denúncia, como não conseguiu expulsar os sem-terra, Neves teria pagado Izabel Rocha Araújo para que fizesse uma falsa denúncia contra lideranças do movimento. Além disso, ele também teria planejado – embora não chegasse a executar – a simulação de um acidente de carro com um dos líderes do acampamento para que se “plantasse” maconha no veículo.

 

Mas em abril de 2005 uma força-tarefa entre a Polícia Federal e a Secretaria da Segurança Pública frustrou os planos de Neves o prendendo junto com outras sete pessoas na operação conhecida como Março Branco sob a acusação de formarem uma organização criminosa armada que dava segurança ilegal a fazendeiros e intimidava grupos do MST sem respaldo da Justiça.

 

No material apreendido pela polícia, foram encontrados recibos de “cotas mensais” pagas por fazendeiros ao grupo de Neves. Na condenação de Neves, sua pena foi agravada já que como policial militar tinha o dever de combater o crime ao invés de praticá-lo.

 

Como o artigo 92 do Código Penal diz que condenação de privação de liberdade superior a 4 anos impõe a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo, Neves perde o cargo público de tenente-coronel da Polícia Militar. Além disso, Neves também foi condenado a pagar 437 dias-multa com o valor do dia-multa sendo de 1/ 10 do salário mínimo.

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