9:31Tiros ao Alvaro

Do blog do jornalista José Cruz, no UOL ( http://blogdocruz.blog.uol.com.br ) duas pancadas no senador Alvaro Dias (PSDB), sendo que a segunda (O estranho silêncio sobre a CPI do Pan) foi reproduzida ontem no blog do jornalista Juca Kfouri. Confiram:

O fundo dos espertos
É do senador Álvaro Dias a mais recente proposta para ajudar os clubes de futebol a saírem do atoleiro de seus déficits financeiros.
O senador quer criar o “Fundo de Apoio à Reestruturação Financeira dos Clubes do Futebol” e apresentou projeto de lei que anda em ritmo rápido pelas comissões do Senado.
Além de incentivar o governo a se meter em assunto financeiro  da iniciativa privada, o projeto de lei é a mais uma péssima contribuição para com quem sempre se beneficiou dos cofres públicos.
Pior, pois muitos cartolas fraudaram o fisco e nem sequer foram punidos. Ao contrário, foram beneficiados com a tal Timemania, a fracassada loteria inventada por Agnelo Queiroz e sacramentada por Orlando Silva para ajudar a tapar um rombo dos clubes de mais de R$ 1,5 bilhão.
Em agonia, a Timemania é um fracasso espetacular e deverá ser sepultada até junho. É a resposta de reprovação do  apostador aos abusos impunes da cartolagem.

Como seria
        O tal Fundo de Apoio ao Futebol proposto por Álvaro Dias (PLS 57/07) seria assim constituído:
10% das transações de atletas com clubes do exterior;
10% da das bilheterias nos jogos
10% do valor da publicidade estática nos estádios.
15% da renda da CBF dos jogos da Seleção
10% da publicidade que utilize símbolos nacionais pela CBF.
        A CBF é riquíssima mas não está nem aí para os clubes, falidos, até faz sentido cobrar sua participação. O seu lobi será fortíssimo para derrotar o projeto. E conseguirá.

Deboche
        A segunda parte do projeto de Álvaro Dias é um deboche, pois prevê conceder isenção do Imposto de Renda às empresas que contribuírem para o Fundo.
Pensam que acabou? Pois tem mais: o projeto determina que o Ministério do Esporte também destine dinheiro do orçamento para o Fundo do Espertos… Ou seja, dinheiro do contribuinte para tapar o rombo da cartolagem. 
        O senador deveria ter vergonha de apresentar tal proposta, principalmente depois de ter presidido brilhantemente a CPI do Futebol.
        Os documentos que sua assessoria recolheu naquela ocasião e o relatório aprovado pela CPI são documentos  que mostra como aos cartolas enriquecerem ilicitamente, enquanto os clubes que dirigiam iam para o buraco.
Para completar esta barafunda, o projeto de Álvaro Dias tem parecer favorável de seu colega, Wellington Salgado, aquele de cabelos longos e encaracolados.
Em outras palavras: se o projeto de lei prospera a porta fica aberta para que outros esportes também se beneficiem da proposta de Álvaro Dias. Como o basquete, por exemplo, que tem em Wellington Salgado um cartola das antigas à frente de seu Universo.
Agora vai.

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O estranho silêncio sobre a CPI do Pan

Em junho do ano passado, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) e o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) apresentaram requerimento para uma Comissão Mista de Inquérito no Congresso Nacional.

Objetivo: averiguar denúncias de abusos com o dinheiro público nos gastos dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. O tal de R$ 4 bilhões, até hoje com prestação de contas escondida.

Pressão

A pressão do Comitê Olímpico Brasileiro foi enorme e, de repente, parlamentares que apoiaram a iniciativa começaram a tirar suas assinaturas. Coisa de gente de duas caras, sem caráter, claro.

Passou o tempo, e de repente, ninguém mais falou sobre o assunto.

Nem os autores da proposta. Estranha desistência de quem bateu tanto, não é mesmo?

Coincidência

Coincidentemente, no dia 24 de julho de 2009, Valéria Alves Fernandes Dias foi nomeada para “Gerente de Projeto da Representação Estadual do Rio de Janeiro da Secretaria Executiva do Ministério do Esporte”.

E quem é Valéria Alves Fernandes Dias?

É sobrinha do senador Álvaro Dias, um dos autores da CPI do Pan que, desanimado, quem sabe, com a debandada do apoio dos companheiros, também não brigou mais pela causa.

Valéria, a propósito, era funcionária do Senado, mas acabou demitida, na leva que tirou de cena parentes de senadores.

Viagem

Quatro meses depois que assumiu o cargo no ministério, Valéria foi representar o Brasil na Soccerex, a feira mundial de negócios do futebol, em Joanesburgo, na África do Sul.

Está tudo registrado no Diário Oficial da União.

Escrevi ao senador Álvaro Dias para saber se ele havia influenciado na contratação da sobrinha pelo Ministério do Esporte, mas não obtive resposta.

Assim, sem CPI, e com os processos se arrastando no Tribunal de Contas da União devido a morosidade nas respostas dos envolvidos, o torcedor-contribuinte dos cofres públicos continua sem saber porque o Pan 2007 custou R$ 4 bilhões.

A dúvida sobre o uso da maior parte dos recursos cresce porque o Ministério do Esporte e o Comitê Organizador, que foi presidido por Carlos Arthur Nuzman, não tornam pública a prestação de contas.

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