13:07Chacina no Barreirinha – A Vida por um gatilho

Deu no blog Fotojornalismo Curitiba (http://fotojornalismocuritiba.blogspot.com):

por João Carlos Frigério

Na noite do dia 22, sexta-feira, aconteceu no Bairro Barreirinha uma chacina que vitimou 6 pessoas. Eu e o repórter Jota Pe fomos até o local e fizemos a matéria sobre a chacina, porém, devido as fortes chuvas, não deu para completar a matéria na noite. No final da tarde de sábado, resolvemos retornar ao local. Ao chegar, nos deparamos com várias pessoas na rua, moradores, e no final da Rua Albino Blun, notei um rapaz suspeito e avisei o Jota, dizendo pra ficar esperto com o “nóia”. Fomos descendo a rua e o “nóia” veio em nossa direção e perguntou de qual emissora nós eramos. Respondi que era do Programa 190. Foi quando ele sacou uma uma pistola, que deveria ser uma .40 ou uma 9mm, e colocou na minha cabeça e dizendo que ia me matar e matar o Jota Pe. Ele foi nos empurando para o local da chacina e dizendo que ia nos queimar, que nós viemos ali para denunciar o local como ponto de venda de drogas. No momento seguinte ele empurrou o Jota e apontou para a cabeça dele. Naquela hora acreditei que ele fosse atirar. Foi quando começamos a implorar para que ele não fizesse isso, que éramos trabalhadores. Mantivemos a calma, para tentar contornar a situação. Eu disse que estava ali para ajudar ele. Ele estava completamente fora de si, e continuou nos empurrando tentando nos levar ao local da chacina para nos matar. Quando chegamos na ponte, cerca de uns 20 metros do local dos assassinatos, resolvemos não ir mais para dentro, pois sabíamos que se passássemos da ponte, não teria mais retorno. Foi quando achei que ele fosse nos matar ali mesmo. Eu então tentei acalmá-lo dizendo que nós estavamos indo embora e que ia deixar ele em paz. Ainda muito alterado, ele foi aos poucos cedendo, mas insistia que que ia nos matar ali mesmo. Eu então disse que estava indo embora, que ia deixá-lo em paz, e fui saindo. Foi então que ele cedeu e nos deixou ir xingando e ameaçando. Não dei as costas para ele até chegar a uma distância segura. Aelerei o passo e fui até o carro. O Jota Pe veio mais devagar. Entramos no carro e saímos, não acreditando ainda que estávamos vivos. Sei que erramos em chegar no local sem escolta policial, porém, só havíamos decidido sair do veículo caso o local estivesse seguro. E  já que havia várias pessoas na rua, imaginamos estar em segurança. O que mais me assusta foi o fato de em menos de 24 horas após a chacina o local já estar dominado por traficantes. E a única certeza que tenho é que saí dali vivo graças a Deus.

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