9:11Sou atleticano, Iatauro!

Rafael Iatauro, secretário Chefe da Casa Civil, fez um belo passeio pela memória ao prestar homenagem ontem aos 100 anos do Coritiba em seu (dele) blog (www.rafaeliatauro.com.br). Ele, atleticano, cometeu, contudo, um pecado imperdoável a um companheiro de paixão, por acaso este que vos escreve e a quem foi dedicado o texto, que agradeço e muito me enobrece: escreveu lá, com todas as letras, que eu sou “coritibano de quatro costados”. Em tempo: Iatauro mandou recado pelo celular pedindo desculpas pela barbaridade. Aceito, mas ficaria muito mais feliz se o equívoco fosse devidamente corrigido, como fiz aqui, ou seja, deletado e registrado corretamente. Sugiro: “Zé Beto, atleticano até depois da morte…” Confiram o texto:

Relâmpagos

# Cem anos de glória do clube do Alto da Glória. O centenário do Coritiba Foot Ball Club tem mesmo que ser comemorado, não só por seus fanáticos torcedores, que se orgulham em pertencer ao mais antigo clube do Paraná, mas também por todos aqueles que amam o futebol. Não importa se um atleticano, como eu, ou saudosista do Britânia, ou admirador dedicado do Trieste de Santa Felicidade. Quem gosta de futebol tem que reverenciar esta data, porque ela pertence a todos os clubes. Você atleticano, por exemplo, já imaginou quão sem graça seria o futebol do Paraná, sem a presença do Coritiba (isso mesmo, com “o”)? Ate para as gozações, tão importantes para a rivalidade, quando sadias.

## Li quase todas as crônicas exaltando os magníficos e incontáveis feitos desse extraordinário clube. Permito-me, todavia, fazer pequenos reparos pela falta de ênfase a alguns nomes que, a meu ver, deveriam ter tido maior destaque. Falo de 1950 para cá, do que presenciei, como amante do futebol e como cronista esportivo que tive a honra de ser, numa passagem altamente marcante de minha vida. Fora Carneiro Neto, amigo, brilhante escriba esportivo, atleticano sofredor como eu, não me lembro de ter lido menção significativa da passagem de Arion Cornelsen, como jogador e principalmente como dirigente. Foi, com Evangelino Neves, o maior colecionador de títulos. Mas foi, também, quem deu a grande arrancada para, reestruturando o clube, solidificá-lo, administrativa e futebolisticamente, inclusive transformando o antigo Belfort Duarte, nome sem qualquer vínculo com o clube, em boa hora mudado para Couto Pereira,num verdadeiro estádio de futebol (a mudança de nome não foi nas gestões de Arion).

### Arion trouxe profissionalismo a um clube que apesar de já conviver com tantas conquista, ainda respirava amadorismo. Lançou mão de um projeto do consagrado arquiteto Lolo Cornelsen, seu irmão, atleticano fanático, e, transformando-se num feitor de obras, partiu para a construção dessa gigante praça esportiva. É importante lembrar que Arion teve ao seu lado, quase como irmão siamês, o saudoso Miguel Chechia, figura bastante polêmica, odiado pelos rubro-negros, mas amado pelos “coxas”. Chechia foi chamado de a “raposa ruiva”, um especialista em artimanhas, sempre obcecado por vitórias. E, perdão meus sempre colegas de crônica esportiva, mas, para mim, faltou também merecido destaque a Almir, vindo dos juvenis para se tornar um craque difícil de ser igualado. Dos que vi jogar – vi atacantes fantásticos, como Zizinho, Jair da Rosa Pinto , Garrincha, Ademir da Guia, Jackson, Leônidas da Silva, Sastre, Júlio Botelho, Canhoteiro, Miltinho,Pagão, Coutinho, Didi, Lima, (Palmeiras), Sicupira, Alvaro, Tezourinha,Chico, Afinho, Dr Rubens, Pinga e tantos outros- Almir foi perfeito, e disputa o segundo lugar, depois de Pelé ( acompanhei bem próximo, seu inicio de carreira quando,então locutor da Radio Bandeirantes, designado pelo inesquecível Pedro Luiz, fui encarregado de cobrir o Santos).

#### Almir tinha domínio de bola fantástico, excepcional visão geral do jogo. Era elegante, atuava de cabeça erguida,dificilmente errava um chute a gol, e, quando chutava,dificilmente deixava de fazer a alegria de sua torcida. Infelizmente, teve uma carreira curta, fruto de irresponsabilidade de um técnico que, dizem, teria mandado Almir, seriamente contundido numa jogada, voltar a campo a base de injeções no joelho. Claro que o Coritiba teve outros brilhantes jogadores. Alguns deles tive o privilegio de desfrutar da amizade, como inigualável Fedato, Bequinha, Miltinho, Ronald (desde as peladas com bola de tênis, nos intervalos das aulas, no Colégio Estadual, atá as disputas pelo amador Cometa F. C., formado na Rua Riachuelo, pela Tinturaria Cometa, do querido Pereirão), o esforçadíssimo Guimarães, Hidalgo(que veio do Juventus, de São Paulo, para ser o grande capitão), Renatinho (com quem trabalhei, na Secretaria de Agricultura, um gentleman), etc. etc.
Mas, reinfatizo: para mim, como craque coritibano, Almir foi incomparável.

##### Portanto, todos esportistas estão de parabéns. Todos, de todos os clubes, enaltecem os incontáveis feitos do Coritiba. E agradecem pela sua existência. Particularmente, meu sincero e aquecido abraço a alguns bons amigos, “coxas” inveterados e orgulhosos das conquistas do clube, como Vinicius Coelho, Luiz Alfredo Malucelli, J.Carlos Miranda, Giovani Gionedis, Henrique Naigeboren, Joel Malucelli, Emílio Gomes, Sergio Prosdócimo, Rene Dotti, Mauro Maranhão, Jaime Canet Junior, Cândido Gomes Chagas, Luiz Geraldo Mazza, Artagão de Mattos Leão, Munir Karam, Almir Zanchi, Zanon (que jogava com touca de renda), entre tantos, e meus netos, Rodrigo e Rafaela que, malgrado meus esforços, não consegui levá-los para Baixada, pois preferiram respirar os ares do Juvevê. Parabéns, presidente Cirino.
Bayard Osna, eterno sonhador, Ivan Ruppel, dedicado dirigente, e Osny Bermudes, o filho do zagueirão Ninho, estejam onde estiverem….minhas eternas saudades.

##### E.T.: esta despretensiosa, porém sincera, apreciação, dedico ao meu amigo Zé Beto, atleticano até depois da morte, com seu blog de primeira, que nos mantêm sempre bem informados. Vem mais,Zé!

P.S.: Perdoem-me a audácia, torcedores e cronistas. Mas, como bom “corneta”, elenco a seleção do Alto da Glória, dentre tantos craques que vi atuar: Nivaldo, Fedato e Carazzai; Hermes, Bequinha e Sanguineti; Baby, Miltinho, Almir, Zé Roberto e Ronald
Menção honrosa para Oberdan, Hidalgo e Renatinho (pai).
Técnico: Elba de Pádua Lima, o Tim.

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