7:44Mercedes Sosa, adeus

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Mercedes Sosa

da Folha Online:

A cantora argentina Mercedes Sosa morreu hoje, aos 74 anos, no hospital em Buenos Aires onde estava internada há cerca de um mês. Sosa foi internada por conta de um problema hepático que piorou com complicações pulmonares. Nos últimos dias, ela respirava com a ajuda de aparelhos. O filho de Sosa, Fabuán Matus, afirmou à imprensa argentina que o momento era de “oração”, mas que ainda tinha esperanças sobre a recuperação de sua mãe. “Ela viveu plenamente seus 74 anos, fez praticamente tudo o que quis, não teve nenhum tipo de barreira nem medo. Viveu uma vida muito plena, que foi dolorosa, pelo exílio”, disse. A cantora já havia sido hospitalizada em março deste ano, devido a um quadro de pneumonia e desidratação. A saúde frágil da cantora a impediu de lançar oficialmente seu álbum duplo “Cantora”, que traz participações de Caetano Veloso, Shakira e Joan Manuel Serrat, entre outros artistas. Com uma carreira de mais de quatro décadas, Mercedes Sosa foi uma das vozes mais representativas da música popular argentina e da América Latina.

A cantora Mercedes Sosa nasceu na cidade argentina de Tucumán, no dia 9 de julho de 1935. Ela começou a carreira em 1950, aos 15 anos. Ao lado de um grupo de amigas, ela participou de uma competição na rádio local, LV12, de Tucumán, apresentando-se sob o pseudônimo de Gladys Osorio.
Ela ganhou o primeiro prêmio do concurso, um contrato de dois meses para trabalhar na emissora. Por conta de seus grandes e lisos cabelos pretos ganhou o apelido de La Negra.  

Na década de 1960, a cantora se envolveu com a música folclórica argentina. Com o marido, Manuel Oscar Matus, gravou seu primeiro disco, “Canciones con Fundamento”, em 1965. Neste ano, também gravou a música “Palomita del Valle”, no álbum “Romance de la Muerte de Juan Lavalle”, de Ernesto Sábato e Eduardo Falú.

Em 1967, passou a ser conhecida nos Estados Unidos e Europa, após se apresentar em Miami, Lisboa, Porto e Roma, entre outras cidades.

Alguns anos depois, gravou com Ariel Ramirez e Felix Luna, a “Cantata Sudamericana” e “Mujeres Argentinas”, além de um tributo também à chilena Violeta Parra, no álbum “Homenaje a Violeta Parra”.

Militante ativa

Em 1979, um show na cidade de La Plata é interrompido e Mercedes e o público são presos. No mesmo ano, exila-se em Paris e depois se instala em Madri. Ela regressou à Argentina em 1982.

Militante ativa contra a ditadura militar nos anos 70 e 80 –quando se celebrizou como “a voz” da canção de protesto latino-americana–, Sosa apoiou a eleição dos Kirchner recentemente.

Nos últimos anos, antes do agravamento de seu estado de saúde, excursionou por diversos países da América Latina e Europa, se apresentando com grande sucesso. Em 2007, cantou em São Paulo e negou que aquela era sua última vez no Brasil

“De jeito nenhum”, disse Sosa à Folha antes do show. “Ainda vou cantar na Europa e quero voltar ao Brasil muitas vezes.”

O show realizado há exatos dois anos na Via Funchal, em SP, foi sua despedida por aqui.

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