9:24Espinhos na fábrica de malte

Nem tudo são flores numa campanha. Ontem o prefeito Beto Richa (PSDB) sentiu o espinho em Guarapuava durante a inauguração da ampliação da fábrica de malte da Cooperativa Agrária, que abastece a produção de 80% da cerveja fabricada no país. Pelo que se sabe, nesse angu houve a mistura de lambança de quem quis agradá-lo, veneno de quem quis vê-lo ferrado e o uso correto do cerimonial para dar à cena a normalidade dos civilizados. O prefeito da capital estava na primeira fila do evento, ladeado pelo deputado Elio Rusch (DEM) e pelo deputado estadual Reinhold Stephanes Junior (PMDB). Tinha recebido convite para a festa p0rque, pelo que se sabe, o deputado federal Cesar Silvestre (PPS), que é da região, que fazia parte do comitê de organização, fez questão de incluí-lo, por motivos óbvios. Uma coisa é ser convidado. Outra, fazer parte do elenco de estrelas, ou seja, os que são convidados a  compor a mesa principal da festa. Iniciada a convocação das autoridades presentes, o que se viu na Agrária foi o anúncio de uma escalação onde, além do presidente da cooperativa, do prefeito da cidade, Fernando Ribas Carli e do governador Roberto Requião, só entraram as autoridades federais. A saber: os ministros Reinhold Stephanes (muito aplaudido) e Paulo Bernardo, os senadores irmãos Alvaro e Osmar Dias, os deputados Gustavo Fruet, Eduardo Sciarra e Cesar Silvestres, além dos representantes do Banco do Brasil e do BRDE. O prefeito de Curitiba não se mexeu na cadeira, mas quem viu seu rosto jura que ele estava fervendo por dentro. Seu único gesto foi tirar a gravata e guardar no bolso do paletó, enquanto ouvia que a produção da Agrária passa agora de 127 mil toneladas por ano para 220 mil. O assunto, óbvio, foi o mais comentado ontem depois do fim da festa para alguns e tormento para o prefeito. Mesmo porque ele ficou no meio da ninguenzada e na frente dele estavam dois candidatos ao governo (Alvaro e Osmar) e do desafeto Requião, a quem atribui-se a montagem da cena através do cerimonial do Palácio. Os inimigos disseram que o constrangimento valeu o ingresso. Quem está do lado do prefeito acha que ele não passou recibo, se comportou com educação, mas anotou no caderninho o que aconteceu para, quem sabe, dar o troco. Isso é política! Isso é campanha!

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