11:22Morder a fronha

De um colaborador do blog e leitor da Gazeta do Povo:

Saia da cama e pegue no quintal do sogro a Gazetona de hoje. Não leia no banheiro, que você pode se enganar e ficará manchado e ardido. Pule a manchete inteligente da capa, aquilo é demais pra gente mediana como nós, é material pra leitor gazeteano de terceira geração: “Polícia sem ouvidos deixa população sem respostas”. O cara que fez a manchete merece a cadeira de Sarney na Academia.
 
Pule direto para o caderno G, página 3, matéria do professor doutor Caetano Waldrigues Galindo, que escreve sobre Thomas Pynchon com uma intimidade que só ele e os colunistas sociais do jornal desfrutam. O professor decreta que Pynchon é mais recluso que o autor do Catador no campo de centeio (aquele “apanhador” da edição brasileira é coisa dos diplomatas que traduziram o livro). Nosso doutor, ligadíssimo a Pynchon, conta que o escritor balançou quando o filho abriu um Facebook – mas não pôs a face do pai no book, tanto que o doutor Galindo tirou do album a foto de 1950, que publica com o artigo.
 
Tamanha intimidade do doutor que a tantas ele conta que o escritor “mordeu a fronha” devido a vergonha, raiva, ou o quer que só o doutor Galindo conhece. Isso de morder a fronha mostra que os tempos estão mudando rápido demais na Gazeta. Não leva um mês tem mulher pelada na capa, que nem a Tribuna.
 
Não lhe escrevo movido pelo despeito dos estilistas da Gazeta, pois sei que nunca atingirei os padrões de excelência mínima do jornal. Escrevo como leitor chocado, tradicionalista, de tradicional família curitibana, que assina o jornal desde que os tempos do pai de dona Juril, que lê a Gazeta do começo ao fim (quase dizia “de cabo a rabo”, liberado pelo doutor professor Galindo). Minha família começou na Gazeta antes do pai dos filhos de Francisco, portanto me sinto meio ombudsman do jornal.
 
Comecei só para recomendar que lesse o jornal e acabo vertendo o fel do despeito. “Cebolas!” – na expressão atualíssima, resgatada pelo doutor professor Caetano Rodrigues Galindo – sou mesmo um recalcado.

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