18:04Horóscopo

por Zé da Silva

Libra

O menino contou a história do homem que lhe contou a história do tiro que deu no beija-flor e não sobrou nem penas. Os olhos do menino brilhavam. Ele insistia sempre em ir para a chácara e queria levar uma velha espingarda de pressão. Posso matar bicho? O velho dizia sempre não, porque bicho é coisa de Deus. O menino discorria sobre a praga dos pardais, das pombas. O velho um dia perguntou para que ele queria matar. Para ver a sanguera, respondeu o piá de olhos enviezados e redemoinho no topete. Um dia o menino, que se encontrava com o velho de vez em quando, não pediu para matar. Perguntou se o velho, no tempo de criança, tinha matado. Foram os olhos do velho que brilharam ao lembrar das excursões que fazia com sua turma, estilingues em punho – todos à caça dos pardais e, troféu supremo, pombas. O velho não escondeu isso do menino. Disse que, quando cresceu um pouco, mudou de opinião, que nunca mais matou nem mosca, etc. O menino não ouviu essa parte. Queria saber o que faziam com as aves abatidas. O velho disse que eram depenadas, limpadas e assadas. O menino pensou um pouco. E disse que, realmente, era uma barbaridade o que o homem tinha  feito com o beija-flor, porque não dava para ser comido.

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