18:19Governo Federal autoriza plano para retirada de trilhos e trens que cortam Curitiba

A Prefeitura de Curitiba informa:

Ministro dos Transportes autoriza Plano Multimodal

Autorização foi informada ao prefeito Beto Richa nesta quarta, em Brasília 

O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, informou ao prefeito Beto Richa nesta quarta-feira (5), em Brasília, que autorizou o projeto do Plano Diretor Multimodal de Curitiba. “Estou convencido que é um Plano Diretor que vai melhorar trânsito e transporte, aumentando a capacidade de tráfego e a segurança no trânsito da região”, disse o ministro.

Elaborado pela Prefeitura de Curitiba em parceria com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), o Plano Diretor Multimodal de Curitiba consiste na desativação do ramal ferroviário ao longo de Curitiba, Almirante Tamandaré e Pinhais, numa extensão de 41,2km. “A desativação deverá eliminar os conflitos viários, melhorar a mobilidade em Curitiba e na Região Metropolitana, reduzir os acidentes e a poluição sonora e promover uma melhoria ambiental e social nos municípios atingidos”, disse Richa. “Este Plano é uma reivindicação antiga de Curitiba e da região metropolitana. O início deste projeto é histórico para região.”

O ministro Alfredo Nascimento também aprovou a transferência definitiva para o Município de Curitiba do trecho da Linha Verde, na antiga BR116. O trecho da rodovia é atualmente delegado ao Município. O ministro também concordou em transferir para a cidade áreas de ramais ferroviários desativados, pois a implantação do Plano Diretor Multimodal também vai permitir a revitalização das cidades nos trechos desativados, com a possibilidade de desenvolvimento econômico no entorno das áreas de influência da linha do trem, gerando mais trabalho e renda para a população. Ele também vai melhorar a mobilidade e acessibilidade da população, principalmente dos moradores da região leste.

“Mais do que garantir o desvio ferroviário, o Plano permite a conexão rodoviária, ferroviária, cicloviária, portuária e aérea, extrapolando os limites de Curitiba, se estendendo à Região Metropolitana”, disse o presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba, Clever Almeida, que participou da reunião em Brasília, que também teve a presença do assessor de Projetos Especiais de Curitiba, Mauricio Ferrante, e do secretário executivo do Ministério, Paulo Sérgio Passos.

Richa também encaminhou ao Ministério das Cidades o Programa de Obras do Plano de Mobilidade Urbana e Transporte Integrado, que consiste em diversas obras de infraestrutura viária – reurbanização de vias, pavimentações definitivas, construção de trincheiras, viadutos e pontes, construção de novas ciclovias e obras do plano de recuperação das ciclovias existentes. O investimento total será de R$ 215,9 milhões. O Plano de Mobilidade Urbana (PlanMob) foi aprovado pelo Conselho da Cidade de Curitiba em dezembro de 2008.

Novos ramais ferroviários vão retirar o trem de dentro de Curitiba

Com o Plano Diretor Multimodal, a linha férrea será remanejada, acabando com os conflitos que colocam em risco a circulação do transporte público, pedestres, ciclistas e automóveis em Curitiba, Pinhais e Almirante Tamandaré. O trem passaria por dois traçados. O primeiro, contornando o perímetro urbano de Almirante Tamandaré, município localizado ao norte de Curitiba, onde não há bacia de manancial de abastecimento de água. Seguiria paralelamente ao traçado dos Contornos Norte e Sul, alcançando o antigo ramal que liga Curitiba a Araucária, a sudoeste.

O traçado proposto percorre a Cidade Industrial de Curitiba, possibilitando a implantação de terminais Intermodais na Zona Industrial de Curitiba e Araucária, com o transporte ferroviário. Na CIC estão concentradas 486 empresas industriais e o Plano Multimodal dá opções de escoamento de produtos e rejeitos industriais pela ferrovia.

O ramal oeste tem, entre as suas vantagens, a existência de menos conflitos e rejeição urbana pela utilização do contorno rodoviário. Isto porque não há ocupação densa de moradias, comércio e serviços ao longo do contorno. Além disso, os raios e declividades do traçado que acompanha o contorno rodoviário são mais compatíveis com a velocidade e capacidade de carga do sistema ferroviário, há áreas que podem funcionar como pátios de transbordo, ao sul de Curitiba, permitindo a criação de um porto seco.

Além de dejetos industriais, a ferrovia poderia ser utilizada para o transporte de cargas recicláveis e resíduos da construção civil, além de cargas de lixo hospitalar, já que é enviado para indústrias de cimento para queima e transformação. Um dos principais diferenciais do projeto tem ainda o caráter social, já que o Plano propõe relocar os moradores de Araucária que hoje vivem em área de risco entre a ferrovia, a rodovia e a Refinaria da Petrobrás (Repar). Nesta área poderia ser implantada a oficina da ferrovia, o terminal multimodal e o apoio operacional.

Segundo ramal – O segundo traçado, a leste, poderia ser implantado paralelamente ao Canal Extravasor (implantado ao longo do Rio Iguaçu), conectando Piraquara a São José dos Pinhais, permitindo a ligação turística do Litoral até o Aeroporto Internacional. A idéia é utilizar a curva existente do ramal projetado (e nunca implantado) em direção a São José dos Pinhais.

O Canal Extravasor foi implantado em 1995 para conter cheias e enchentes e para criar uma barreira física para delimitar os espaços e o armazenamento de águas. Hoje o Canal é uma barreira física e ambiental para a expansão das ocupações urbanas em direção ao Rio Iguaçu. A obra do ramal (paralela ao Canal Extravasor e que passa sob o viaduto da BR-277 em direção a Paranaguá) definiria o dique necessário para complementar a função de delimitação e contenção de cheias do canal implantado.

Além disso, a pequena declividade junto ao Canal é adequada ao projeto ferroviário. Outra vantagem do ramal leste é que beneficiaria bairros importantes e populosos de Curitiba como o Cajuru, Capão da Imbuia, Uberaba, Cristo Rei e Jardim Botânico, que sofrem com a barreira física do ramal e com a operação do transporte ferroviário. Não havendo ocupações e moradores no canal, não há trânsito de pedestres transversais ao ramal, eliminando os conflitos com travessias de pedestres, veículos ou ciclistas. O trecho do ramal desativado permitiria a reurbanização da área, com novas ruas, linhas de transporte urbano e metropolitano, iluminação, calçadas e ciclovias, tudo integrado à malha urbana existente.

O desvio se conectará ao ramal existente após a zona urbana de Pinhais, em direção a Piraquara, onde a antiga estação existente funcionaria como pólo de atração turística na região. O Aeroporto Afonso Pena será o elo que permitirá a criação de um Terminal Multimodal (Turístico e de Cargas) na Região Metropolitana de Curitiba, podendo integrar-se aos Portos de Antonina e Paranaguá. Esta ligação permitirá integrar os navios de carga ou mesmo turísticos ao aeroporto em São José dos Pinhais através da utilização da conexão ferroviária. No caso dos turistas, haveria a possibilidade de estender os deslocamentos até Foz do Iguaçu, promovendo o turismo e a economia na região oeste do Paraná.

O Plano também permite a integração por ciclovia dos municípios de Almirante Tamandaré, Curitiba, Pinhais, Piraquara, Colombo e São José dos Pinhais, criando uma Rede Metropolitana de Ciclovias conectada à Linha Verde. Ele também possibilita a conexão de importantes equipamentos como a Rodoviária de Curitiba, o Jardim Botânico, o Autódromo (Pinhais), o Complexo Esportivo Peladeiros, o Parque Iguaçu e o Zoológico, além do Aeroporto Afonso Pena.

O Plano Diretor Multimodal atende o Plano Diretor de 2004 e o Estatuto da Cidade, que prevêem a melhoria de acessibilidade e mobilidade em áreas consideradas estratégicas para o futuro de Curitiba. O ramal ferroviário que passa por Curitiba, Almirante Tamandaré e Pinhais cumpriu um importante papel no desenvolvimento do Paraná. Na época o traçado era condizente com as cidades, mas hoje é incompatível com a ocupação urbana e o adensamento da Região Metropolitana. Isto porque o transporte de cal e cimento cruza diversas zonas de alta densidade habitacional e muito próxima ao centro de Curitiba. Além disso, o ramal representa uma barreira ao incremento do sistema viário e ao funcionamento dos eixos de transporte, especialmente o Norte e Leste.

5 ideias sobre “Governo Federal autoriza plano para retirada de trilhos e trens que cortam Curitiba

  1. Bia Moraes

    nossa, que coisa linda, inteligente, moderna!!!!

    vão dar MAIS espaço pros carros em curitiba. em vez de usar a linha pra fazer um transporte racional, humanizado, aproveitando o que já tem, pra sei lá, trens elétricos – algo realmente lógico/contemporâneo e sintonizado com o bem estar das pessoas, da cidade e do planeta…

    não. dá-lhe poluir. dá-lhe incentivar a idiotice de carros e mais carros. dá-lhe torrar dinheiro público, fazer caixa 2 e beneficiar empresas “amigas” com essas obras faraônicas, tirando os trilhos do trem, mudando tudo, escolhendo o jeito mais caro e mais besta, e ainda, furando um metrô mequetrefe, enganador e desnecessário. que os curitibanos deslumbrados acham chique.

    nessas horas dá saudades da inteligência do lerner.

  2. marcelo ribeiro

    Acho que primeiro o prefeito tem que expor o projeto completo a população para depois se manifestar, o resto é desconhecimento e critica pela critica.

  3. Luiz Alves

    Não é crítica pela crítica não, você é que está desinformado. É crítica de um conservadorismo exagerado, que apenas alimenta o atraso em uma cidade que se pretende moderna, mas engole passivamente essa política que atualmente estamos assistindo por aqui…
    Realmente, eu também não consigo entender por que não utilizar a atual linha de trem para implantar um ramal de trem urbano ou de metrô de superfície. Parece-me totalmente sem sentido e absurdo que, havendo já uma canaleta (a despeito da necessidade de transformá-la), que corta diversas áreas nobres da cidade, perca-se essa oportunidade de implementar uma linha de metrô, com um mínimo de desapropriações, uma oportunidade que tantas cidades sérias do mundo almejariam… É incrível!

  4. Carlinhos

    O projeto é antigo, o problema é uma ação patrocinada por uma ONG de Araucária que contesta o novo traçado da ferrovia.

  5. NAGIB ABDALLA

    Bia Moraes,
    Os tempos mudaram. No seu tempo, poder-se-ia pensar nisso. Chega de saudosismo.

    A retirada da linha férrea em pauta, viabilizará a construção de uma grande avenida e acabar definitivamente com os transtornos que o trem causa. Você precisa saber.

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