11:50Canudo

Ontem o signatário teve a situação profissional regularizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), depois de 33 anos de trabalho. Não é contra o curso de jornalismo, mesmo porque frequentou um por quatro anos – mas não ganhou o canudo, por displicência. Sempre se manifestou contra o obrigatoriedade do diploma, até por experiência própria. Nos últimos anos acompanhou a proliferação dos cursos de jornalismo em Curitiba, verdadeira praga daninha que iludiu milhares de jovens e encheu os bolsos dos empresários do “ensino”. Também viu a omissão dos representantes da classe para esta barbaridade, enquanto vivenciou a perseguição a talentos da profissão que, mesmo estudantes do curso, não podiam, por lei, trabalhar. Acha que, sim, haverá distorções com a nova ordem, pois muitos empresários dos chamados veículos de comunicação vão barbarizar, e quem não tem a menor condição de escrever um “ó” vai ganhar espaço por ser amigo do rei. O tempo, contudo – e mais uma vez, vai fazer prevalecer o que sempre foi fato: os verdadeiros profissionais, os que nasceram com o dom e desenvolveram o talento, terão espaço. O resto é choradeira inconsequente.

22 ideias sobre “Canudo

  1. jeremias bueno

    Concordo com o seu texto e com a decisão do Supremo.

    Entendo, ainda, que Jornalismo não deveria ser um curso de graduação, mas de pós-graduação, a ser cursado por qualquer graduado (economista, bacharel em Direito, engenheiro, etc.) que desejasse se aprimorar na atividade jornalística.

    A mesma opinião tenho sobre o curso de Pedagogia. Deveria ser uma pós-graduação a ser cursada por licenciados em História, Matemática, Letras, etc.

  2. Frik

    Bem, esta decisão histórica acaba com algumas sérias distorsões acumuladas desde os anos 60 – Agora precisam acabar também com outras excrescências, como o voto obrigatório e o serviço militar obrigatório.

  3. Vanessa

    Acho que é uma faca de dois gumes essa decisão do STF. Por um lado, pode ajudar a acabar com a proliferação indiscriminada de cursos de jornalismo e de estudantes sem o menor talento e vocação, que não escrevem ou leem p…nenhuma, só iludidos pelo suposto galmour da profissão. Por outro, poderá atrair mais picaretas que se utilizarão dos meios de comunicação para interesses privados e escusos. Os jornais de bairro, por exemplo, se já são uma bagunça, atuando sem jornalista responsável, com qualquer um escrevendo supostas notícias, tenderão a piorar, dando cada vez mais espaço para a mera fofoca, a calúnia, a divulgação de interesses particulares e lucrativos e o jornalismo marrom, enfim.

  4. Dary Jr.

    Zé, nenhum diploma, seja qual for a categoria, garante qualidade profissional. No entanto, qualquer formação é melhor que formação alguma. Palavra de quem está há 22 anos no ramo e já trabalhava antes mesmo de o curso de Jornalismo ser criado em Mato Grosso do Sul, de onde vim. Como estava, admito, o canudo era um instrumento para regular o mercado – e olhe lá. Agora, a precarização é inevitável. Provavelmente nós, mais experientes e consolidados no meio, não seremos afetados. Somos macacos velhos. Já os recém-formados ou estudantes…

  5. Gilberto Larsen

    O jornalista americano Gay Talese que está vindo para a Feira Literária Internacional de Paraty disse:
    “O governo usa a imprensa mais do que a imprensa usa o governo. Hoje, devemos ter uns 10 000 repórteres em Washington. Há uma civilização inteira de jornalistas em Washington. Se eu dirigisse um jornal, eliminaria de 50% a 60% da sucursal de Washington e mandaria os repórteres para outros lugares do país, para Califórnia, Nebraska, Flórida. Sabe o que aconteceria?
    Estaríamos tirando a ênfase sobre o governo e neutralizando sua capacidade de controlar o discurso político. Em vez de ficarmos segurando o microfone para o governo falar, estaríamos trazendo notícia sobre como as decisões do governo são percebidas e como são sentidas longe de Washington. Isso é vida real. É cobrir os efeitos das medidas do governo sobre a economia, a gripe suína, seja o que for, mas longe do governo e perto da sociedade.
    A multidão em Washington decorre do fato de que as pessoas adoram o poder e ficaram preguiçosas. Jornalista ama o poder, ama lidar com o poder.”
    Aqui no Brasil não é diferente. Será que a diplomação de dos jornalistas mudaria o cenário? Acredito que não.
    A imprensa precisa da boa opinião do médico, do veterinário, do administrador, do engenheiro, do aviador, etc, etc. E não se empolgar com o poder.
    O jornalista é um filtro do que a sociedade precisa saber. Ora deve ser um jornalista informativo, ora deve ser um jornalista opinativo.
    O jornalista deve ter na veia o talento de um contador de história e a capacdiade investigativa de um bom delegado de polícia.
    Os jornalistas precisam pensar grande e não tentar apenas fazer reservas de mercado como a proibição do estágio para os estudantes de jornalismo.
    Se tudo o que já foi debatido em assembléias tivesse dado resultado, o jornalista teria um piso salarial muito maior do que o estabelecido.
    E preciso também acabar com a ilusão da empregabilidade que as faculdades de jornalismo espalhadas pelo Paraná a dentro praticam.
    O mercado ficou enxuto.
    O que o jornalista fez pela profissão é a pergunta que não deve calar.
    O que levou ao resultado de ontem no STF?
    Onde a categoria errou?
    Será que não perdeu muito tempo olhando para o próprio umbigo?
    Será que deixou questões ideológicas ficarem acima
    do simples e normal interesse de uma classe profissional em ter emprego e renda. Ou seja: trabalho com boa remuneração.
    E mais, quando as lideranças dos jornalistas entenderão que também são parte da sociedade, e como tal, falharam na busca do apoio da sociedade para a manutenção do diploma.
    Sou jornalista diplomado pela PUC e confesso que nunca fiz o patrulhamento a favor do diploma.
    O que me dá a condição de pedir um recall no posicionamento da categoria.

  6. Hugo Norberto

    Zé, discordo da sua última palavras no texto. Quem terá mais chance de conseguir a vaga agora: O cara que é amigo do rei ou um profissional competente mas desconhecido?
    Sem faculdades, não haverá estágios… Sem estágios, não saberá se a pessoa é competente ou não…

  7. Hugo Norberto

    E outra, quem tem que cuidar das diversas faculdades de jornalismo meia-boca, ou até mesmo nenhuma boca, que existem por ai é o MEC, que dá o aval para a posilga funcionar ou não…
    Se a intenção é dar mais espaço para o estudante secundarista tentar entrar em um faculdade, a questão já é outra… melhorem o ensino no geral…

  8. zero

    A questão é que os donos de empresas jornalísticas vão aproveitar o embalo para deixar de pagar o piso salarial. Afinal, se não precisa ter diploma, por que pagar o piso?

  9. jose

    ZB, o Hugo Norberto tem razão: poSSSIlga??????????

    Rasga o o “diproma”…quaquaquaqua!!!!!!!!

  10. Eduardo

    Não consigo entender tanta felicidade de alguns vermes! Ter que sacanear os outros para subir na vida é complicado…

  11. Jornais de bairro

    Falaram aí em jornal de bairro… Aí pisou no meu calo! Diploma? Os meus de Jornalismo e Direito nem sei onde estão. Cuido só do meu Jornal do Batel, um jornal de bairro que está aí na luta há 13 anos, com 100% de sua publicidade vendida sem ter um vendedor de publicidade (quem deseja anunciar é que liga pedindo nossa visita) e fazendo jornalismo (vide matérias que deram pauta para a imprensa diária)…Utilizamos o sistema de “frila” com pagamento baseado na tabela de nosso Sindicato. Portanto, é preciso que saibam que a generalização é sempre perigosa. Há vários jornais de bairro em Curitiba fazendo um bom trabalho. Esses, com certeza, têm jornalista em seu comando. E, neste mercado saturado, creio que uma boa (e, sobretudo, inteligente) política seria a de valorizar ainda mais esses veículos. Afinal, nunca se sabe como será o dia de amanhã e em que porta iremos bater ou para quem iremos mandar nosso currículo.

  12. Valdemar Poletto

    Sou contra a obrigatoriedade do diploma, o problema é uma coisinha linda chamada “Brasil”. Como o STF acabou com a obrigatoriedade e não deixou nada no lugar, qualquer analfabeto poderá ser “jornalista”. Em países civilizados (ou melhor, países, não esta pocilga chamada Brasil), é exigido curso superior e especialização? E aqui? Nada. Bastará ser puxa-saco do feitor. E tem outra, se esse país fosse minimamente civilizado, pessoas como Gilmar Mendes já teriam sido pisoteadas.

  13. Paulo Freitas

    Uma observação: gastei mais de R$ 30 mil com o curso de jornalismo. Antes de começar a faculdade, já escrevia e editava. A faculdade não me ajudou na parte técnica. Concordo que qualquer um pode ser jornalista, porque escrever é fácil. Mesmo assim, defendo o diploma por uma questão trabalhista. Viramos autônomos, não teremos piso e o apadrinhamento rolará solto. Nossa profissão não é regulamentada e qualquer analfabeto poderá se autodenominar jornalista. Profissão é profissão. É algo sagrado e precisa ser regulamentada. Poderia ter feito Direito e continuado estudando, mas fiz jornalismo por questão de honra, porque queria ser jornalista. Por que esse pessoal não faz faculdade? Por que tem preguiça e se acha acima de qualquer coisa.

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