12:24HORÓSCOPO

por Osman Gadoso

Peixes

No segundo andar, na sala de cirurgia, os médicos trabalhavam com a meticulosidade necessária naquele tipo de cirurgia incisiva e reparadora. No revezamento, oito horas se passaram de forma tensa, mas sob controle. Três andares acima, no apartamento à espera da paciente, uma empresa se formou casualmente. Uma vendedora de pinos de titânio para implante odontológico atendia dentistas pelo celular, enquanto dois computadores ligados à rede eram utilizados pelos outros dois amigos de quem estava sendo cortada. Num deles, a tradução de um livro era finalizada. No outro, informações vindas de Brasília transfomavam-se em notícias espalhadas. Houve várias interrupções nesta surreal e real linha de produção. Enfermeiras entravam no apartamento porque não sabiam que a cirurgia ainda prosseguia. Olhavam os olhares fulminantes de quem teve interrompido o trabalho. Pediam desculpas e saíam sem entender nada. No final da tarde, ela, a paciente, chegou de maca. Falando pelos cotovelos. Só não pediu um computador porque o médico proibiu qualquer esforço. Encerraram-se, então, as atividades. De forma feliz, porque tudo naquela tarde de segunda foi um sucesso no hospital com nome de japonês.

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