2:43HORÓSCOPO

por Osman Gadoso

Capricórnio

Aqueles olhos eram mesmo de um assassino. Frio, com uma carga de violência contida, como um motor desligado à espera da ignição para sair atropelando sem compaixão. Talvez por isso os contos de Rubem Fonseca tanto prazer lhe davam. Principalmente aqueles da violência pela violência, sem explicação, apenas atos a estuporar almas e corpos sob o capa da noite. Nunca se perguntou de onde vinha aquilo. Uma vez foi flagrado nas barrancas de um rio amazônico por alguém que o olhou e disse exatamente isso: olhos de assassino. Nunca tinha cometido um crime, sentia medo em situações de pouco risco, mas nas de grande… O coração sempre pedra de gelo, a mente calma a analisar toda a situação. Talvez por isso colecionava armas brancas como se fossem brinquedos. Navalhas e bisturis eram os preferidos. Gostava de olhar. De ter à mão enquanto fazia outras coisas. Acariciava as lâminas o prazer do desafio. Um só movimento e o sangue a tingir tudo, como no slide no início do filme Inverno de Sangue em Veneza. Nessa hora, a pupila dos olhos verdes se dilatava. Era mesmo um assassino. Mas sabia que jamais mataria alguém, apenas ele mesmo, aos poucos.

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