15:17Os donos do porrete

O porrete nunca deixou de malhar o lombo desta ninguenzada que ainda tem força para cantar um samba e gritar o gol do time. O porrete tem o poder de causar traições entre os que estão com as mãos nele e também de atrair aqueles que o sentiram no couro e acham que a redenção está nisso mesmo, de chegar lá para traulitar quem não teve capacidade de sair lá de baixo. O porrete é o troféu dos que se arvoram de faze parte dos três poderes. O porrete é o instrumento que os empreendedores da pancadaria acham ser necessário para a manutenção da ordem e dos bons costumes. O porrete é feito de carne, ossos e sangue daqueles que são mantidos na ignorância porque sempre foi assim. Os que o impunham são eleitos por estes mesmos estripados que também oferecem o butim para o afano geral – pois estes líderes precisam viver bem para poder ter mais força para a traulitada geral e irrestrita.  Usam a saliva para enganar – e se enganam acreditando que fazem algo, numa ciranda esquizofrênica onde, se houver alguma revolta, tiros na cara do engravatado, é sinal de loucura do espoliado. No andar de cima onde se reúnem em convescotes burlescos, onde se acertam em grupos para tomar conta da grande bacia onde é recolhido diariamente o dízimo da existência da ninguenzada, abraços, risos e tapinhas são os sinais eternos de que nada faltará, a não ser que alguém queira além da conta, que pire pela facilidade e não se contente com a cota ou tenha paciência para chegar a vez. E num sábado como este, causa frouxos de risos a malhãção dos Judas em forma de políticos. Porque, alisando o porrete, babam de prazer pela certeza que têm de que fazem isso de verdade sempre, a vida toda, e os bonecos têm a cara anônima do povo.

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