3:30Rotina de sangue

Nesta semana seis pessoas foram vítimas de uma chacina no bairro Xaxim, em Curitiba. Estavam juntas num mocó. Notícias como esta viraram rotina. Eram raras há pouco tempo. O motivo da carnificina banalizada pela constância é o aumento desenfreado do tráfico e consumo do crack. Segundo o delegado da Polícia Federal Fernando Francischini, secretário municipal Antidrogas, especialista no assunto, a mudança do perfil do traficante explica o rastro de sangue que começa a aparecer nas páginas dos jornais. “Acabou o traficante tradicional, clássico, aquele da maconha. Ele agora vende crack porque o dinheiro entra mais rápido, o produto é mais consumido, cria dependência imediatamente, torna o freguês constante e o preço é baixo”, informa. Os grilhões da dependência fazem os “patrões” utilizarem como vendeores os meninos viciados, porque o controle é mais fácil: “O garoto vende cinco pedras e ganha duas para o consumo. Portanto, o traficante maior nem precisa pagar nada. E quando a dívida não é quitada, a lição a ser dada precisa ser forte, para servir de exemplo”, explica o delegado. As chacinas são a resposta. E muitas vezes quem comete os crimes são outros dependentes. A troco de pedras, num círculo macabro. Quem conhece o universo paralelo em que vivem os dependentes de crack sabe disso. Trucidar pessoas é ato comum para quem está fissurado em receber mais uma dose. “Se o patrão me pedisse para matar qualquer pessoa a troco de pedras, eu mataria”, revelou tempos atrás ao signatário um funcionário de montadora internado pela quarta vez numa clínica de recuperação. Tinha vendido tudo dentro de casa e, depois, se enfiado num barraco de favela onde outros viciados estavam amontoados à espera de uma chance para fumar mais. “A vida destas pessoas perdeu o valor, é descartável. Eles acham isso. A deles e a dos outros.”, diz Francischini. Como os poderes públicos ainda patinam no combate ao problema, enquannto este cresce em proporção geométrica, aumenta o horror e o pavor!

5 ideias sobre “Rotina de sangue

  1. nelson

    Zé Beto,
    Nunca me posiocionei aqui, mas achei o assunto importante. Conheci os projetos da Secretaria AntiDrogas do Dr.Francisquini em uma palestra na Fazenda Rio Grande. São ótimos projetos de prevençao aos crimes que vão fazer a diferença para de vida ou morte para os jovens… Porém faltam policiais para prender os Traficantes e a corrupção tomou conta. Sabemos a importância de evitar as drogas, mas queremos o Francisquini também como Delegado de novo senhor prefeito Beto Richa…

  2. Olhar de lince

    … E a quem interessa acaba com o tráfico? Se não acabar, acabar, que é quase impossível, pelo menos diminuir e muito?
    Primeiro falta política de segurança pública compatível com uma Capital do porte de Curitiba. Depois, é correr atrás dos chefões que estão encastelados, enquanto a raia-miúda faz o trabalho formiguinha.
    É preciso pegar os tubarões, nos quatro cantos do país. O livro do jornalista Caco Barcelos, sobre o crime organizado dá pistas interessantes…

  3. Pé Vermelho

    Quando o candidato gritou lá no alto do palanque, Vamos acabar com os criminosos, os ladrões, os assaltantes, os traficantes…a polícia lá em baixo pensou E nós, como ficamos?

  4. jeremias bueno

    A hora em que pegarem um tubarão (se é que pegarão) não faltarão gilmares e marcos aurélios para prontamente fornecer habeas corpus, não faltarão senadores do demo-tucano para questionar os métodos policiais e exigir afastamento de delegados e procuradores, não faltarão vejas e folhas para tentar desonrar os bons policiais cumpridores das leis.
    E não faltarão excelentes e riquíssimos advogados para patrocinar a “causa”.

  5. Francisco Carnelutti

    A impressão é que o Poder Público permite, a fim de que ocorra, por seleção natural, uma espécie de faxina. Afinal, onde há centros de recuperação e, depois, emprego pra essa gente?
    Os leitores deste blog não costumam passar pelo centro, a maioria não tem idéia do que é isso. Passem pela Saldanha Marinho, ali perto da Catedral; pela Cruz Machado, de cabo a rabo; pela Tiradentes até o Guairão (esqueci-me do nome da rua), só para citar três das dezenas de áreas craqueadas da cidade.
    Ali só não vi velho fumando crack. Por quê? Porque essa gente morre em quatro, cinco anos de consumo. Crianças não chegarão à adolescência, adolescentes que começarem agora não chegarão à fase adulta, adultos que começarem agora não chegarão à velhice.
    É dever constitucional do Estado proteger a vida humana (leiam o artigo 5.º da Constituição: http://www.culturabrasil.pro.br/artigo5.htm).
    É aquela velha história: estado omisso, crime ativo, humanos pagando as penas e os preços.
    Como não sou deste planeta, deixo-os ao seu livre arbítrio. Mas é uma pena ver vocês a se destruírem desse jeito. As guerras, de toda maneira, são mais dignas.
    Nada está tão ruim que não possa piorar.
    Cuidado.

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