19:40Acharam o Opala azul do Polaco

O grande Jorge Eduardo França Mosquera, craque do time de jornalistas desta Província, captou a história, fez a abertura com as tintas locais e nos presenteou.

Deve ser aquele Opala do Orlandão (pra quem conheceu o Opala do Orlandão). Orlandão, Orlando Kissner, o maior fotógrafo do Brasil (pra mim, melhor que o Salgado), tinha um Opalão azul. Era podraço, o Opala, na época, não o Orlandão. Tinha um decalque no vidro traseiro, enferrujado como a moldura do vidro, escrito: “a inveja é uma merda.” Certa vez ele foi pescar, mais Chico Camargo e outros amigos, quando ouviram o barulhão: tinha um cavalo se coçando no Opala. E tem mais. Perguntem pra ele. Não sei quem era pior: o Opala ou ou Orlandão. Pelo menos ele casou, teve filho, está feliz. Já o Opala… Deve ser este na frente da casa da viúva. A história é mesmo Kafka puro. Boa leitura procês e feliz Ano Novo.

Opala na porta de casa tira sossego de viúva
Nem polícia nem Prefeitura vai rebocar carro

No dia de Natal, a professora Maria José Falbe-Hansen, de 66 anos, teve uma surpresa. Um grupo de policiais bateu na porta de sua casa, no Brooklin Novo, bairro residencial de classe média da zona sul de São Paulo, para saber se o Opala azul estacionado na frente de sua garagem lhe pertencia. Sem placa, com a pintura meio lixada, pneus murchos e sem a maioria dos acessórios, o automóvel havia chamado a atenção da vizinhança. E um dos moradores chamou a polícia pelo telefone 190.

O Opala, obviamente, não pertencia a Maria José, que mora sozinha e não tem carro. Mas, a partir desse dia, o veículo virou um problema para a viúva. “Todos os dias aparece um policial diferente batendo na porta de casa – ao todo foram 15 – para saber se o carro é meu”, diz.

Cansada da amolação e se sentindo constrangida pela presença constante da polícia, Maria José resolveu escrever com giz branco um comunicado no portão. “Esta porcaria estacionada aqui na porta não pertence a esta casa.” Nenhum dos policiais que apareceram por lá conseguiu solucionar o caso do carro abandonado. “Um deles chegou a sugerir que eu pagasse do meu bolso o guincho e abandonasse em outro lugar. Outro me disse para empurrar até a avenida mais próxima, para que
alguém acabasse batendo nele e então a CET seria obrigada a retirar o veículo”, comenta Maria José.

Segundo Yvo Nogueira Jorge, delegado do 27º DP (Campo Belo), a polícia só poderia retirar o carro da rua se
ele estivesse envolvido em algum tipo de crime. “Se não é um veículo roubado nem foi usado num delito, a responsabilidade passa a ser da Prefeitura ou da CET (Companhia de Engenharia e Tráfego). A polícia pode apenas tentar descobrir o dono do veículo, mas isso leva algum tempo.”

DA POLÍCIA À CET

Maria José conseguiu ajuda apenas para empurrar o carro um pouco para trás, deixando livre a passagem de sua garagem. Depois, procurou a CET. Os funcionários da companhia informaram que não poderiam guinchar o Opala. Só o fariam se o veículo estivesse parado, por exemplo, num lugar proibido.

“Os funcionários da CET disseram que eu deveria ligar para o telefone 156, uma espécie de disque-ajuda da prefeitura.” A central foi criada para fazer a intermediação entre os paulistanos e algumas secretarias, como a da Saúde e a da Habitação, entre outras. Em setembro, segundo a Prefeitura, o 156 deixou de receber solicitações referentes à Secretaria Municipal de Transportes.

“Não sei mais o que fazer. Já tem gente dormindo dentro do carro”, diz a viúva, que agora está preocupada com a possibilidade de o carro virar um chamariz para criminosos. “Tenho medo de ser assaltada.”

Segundo a Prefeitura, a responsabilidade de retirar carros abandonados da rua é das subprefeituras. Depois da comunicação de abandono, o reboque deve acontecer em até 5 dias úteis. Maria José foi à Subprefeitura de Santo Amaro. Lá, recebeu a informação de que o órgão não faz esse tipo de serviço – e ela deveria ligar para o 156.

Uma ideia sobre “Acharam o Opala azul do Polaco

  1. Pé Vermelho

    O serviço público é especialista na execução da transferência de batata-quente. O chamado ‘empurra-empurra’, ‘isso não é comigo’. Na relação dos epitáfios de acordo com as profissões, está lá no bronze do servidor (ei gente, não sou dado à generalização, inda mais que sou barnabé também): DIRIJA-SE AO TÚMULO AO LADO!

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