11:41 PENSANDO BEM…

ROGÉRIO DISTÉFANO

O ex-senador Osmar Dias quer ser governador e está de namorico para conseguir a legenda. Com quem? Com os deputados Luís Cláudio Romanelli e Alexandre Curi. Então precisa mudar o nome de fantasia para Osmal, Osmal Dias.

As bancadas de 17 partidos na câmara federal pedem a anulação dos benefícios concedidos aos irmãos Batista, da Friboi. São os suspeitos de sempre, PMDB, PSDB, PT e a arraia miúda das legendas de aluguel. Os impolutos carnívoros nada dizem sobre a derrama de dinheiro da empresa para os 1.820 picaretas que comiam picanha em milanesa dos reais. Suas malvadências voltam o acendrado civismo contra a especulação com dólares dos irmãos Batista antes da divulgação do grampo de Michel Temer. Para os deputados, especulação nos olhos dos outros agora é refresco.

Já notaram o aumento da propaganda na televisão pelas empresas do Grupo Friboi? São as sandálias Havaianas, produtos Vigor, margarina Doriana, produtos Swift, laticínios Itambé, para citar alguns itens das 44 empresas dos irmãos Batista. O Grupo antecipa-se a possível boicote a seus produtos. Pena que o consumidor não boicota os produtos da outra empresa da Friboi, os partidos políticos.

Ao não renunciar à presidência, Michel Temer presta um péssimo serviço ao Brasil, às reformas a que tanto se apega para sua reeleição. Não pelas reformas em si, que daqui a dois anos terão que ser reformadas como acontece historicamente com todas as reformas milagrosas dos governos.  Falo da reforma de Lula, Dilma e tantos outros.

A exposição de Temer tira os holofotes de Lula, Sérgio Cabral e outros menos gulosos.  Confiram o pouco destaque à acusação de Lula na Lava Jato, ao depoimento de Delcídio Amaral contra ele e à audiência do sadim Sérgio Cabral. Sadim? Sim, midas ao contrário; o reizinho carioca transformou ouro em adrem, aquilo mesmo, também ao contrário.

Décadas depois dos fatos Paulo Maluf é condenado pelo STF, inclusive com perda do mandato. Fóssil vivo da corrupção, Maluf cumprirá a pena no paraíso, refestelado no aconchego de 72 virgens.

Depois das pedaladas de Dilma, Aécio Neves ensaiou sua motocada. Que ele é motoqueiro não tem novidade. A novidade está na última conversa grampeada de Aécio, em que ele discute as dificuldades de “um passeio de moto” por causa de uns “motoqueiros malucos”. O passeio de moto, na interpretação da PF, seria depósito de propina na conta de amigo em banco de Cingapura; motoqueiros malucos, os delatores da Friboi.

TEMPO DO CONTRABANDO artesanal, até romântico, o carinha atravessava todos os dias a Ponte de Amizade, ida e volta do Paraguai, a bordo da lambreta, veículo precursor das motocas pizeras de hoje, roubadas, preferidas de assaltantes que se passam por motoboys. Os funcionários da Receita seguravam o lambreteiro. Revistado, interrogado, saía limpo. Passaram-se anos, ele como Paulo Maluf sempre livre, leve e solto.

Veio o dia da aposentadoria da lambreta, já estabelecido no comércio de rua, já amigo dos fiscais. Prescritas quaisquer suspeitas, os fiscais perguntam-lhe onde escondia a muamba, pois nunca encontraram nada na lambreta. “Gente”, respondeu, “a lambreta era a muamba. Eu levava uma nova do Brasil e trazia uma velha do Paraguai”. Bem diferente de Aécio Neves e seus “passeios de moto”, perseguido pelos “motoqueiros malucos”.

 

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